Livros #123 - Dias Perfeitos


Título: Dias Perfeitos
Editora: Companhia das Letras
Autor: Raphael Montes
Nº de páginas: 278
Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.



Raphael Montes é um dos mais novos talentos da literatura brasileira. E ele não poderia ter começado melhor: seu primeiro romance, Suicidas (resenha aqui), foi finalista em diversos prêmios e um dos melhores livros policias dos últimos tempos. No segundo romance de Raphael, Dias Perfeitos, o leitor é apresentado a uma história de amor única e inesquecível e, assim como o primeiro livro, é presenteado com personagens fascinantes de se conhecer.

Téo é um estudante de medicina que simplesmente não consegue se encaixar nos moldes da sociedade e, portanto, ele assume um personagem o qual tem tem que estar sempre interpretando. Nenhum de seus colegas, professores ou a mãe deficiente de quem ele tem que cuidar sozinho conseguiriam entendê-lo. Mas ele não está de todo sozinho. Possui uma preciosa amiga com quem pode sempre contar e ser ele mesmo: Gertrudes, o cadáver que serve de estudo em sua aula de anatomia.

Infelizmente, o semestre está muito próximo de acabar assim como a aula de anatomia e Téo tem que despedir-se de sua amiga. É com este sentimento amargo que, em uma festa que ele nem mesmo queria estar, Téo conhece Clarice e imediatamente percebe que ela é o amor de sua vida. E ele vai fazer de tudo para que esta história de amor se realize, até mesmo colocá-la dentro de uma mala e sequestrá-la para que ela possa ver que eles são perfeitos um para o outro.

Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.
                                                                                                                 Friedrich Nietzsche

O livro não é recheado de personagens e praticamente toda a trama concentra-se na interação entre o casal e exploração de suas personalidades. Téo é um homem frio, que gosta de estar no controle e, portanto, planeja cada passo de seu relacionamento e não importa qual as consequências de suas ações, o futuro médico consegue encontrar em sua mente uma desculpa que o isenta de qualquer culpa perante a si mesmo: o seu amor por Clarice e a necessidade de fazer dela uma pessoa melhor. Seu senso daquilo que é certo ou errado é tão distorcido que ao mesmo tempo em que ele não vê nada de errado com o que está fazendo considera a homossexualidade e qualquer tipo de comportamento sexual algo ameaçador e errado.

Durante esses dias, ele havia sido bastante razoável com ela. Quem nunca se apaixonou sem ser correspondido? Quem não gostaria de mostrar que poderia ser diferente, que a história de amor poderia dar certo? Ele apenas fazia o que todos já tinham desejado fazer. Havia criado para si a chance de estar próximo de Clarice, de deixar que ela o conhecesse melhor antes do "não" definitivo. Era ousado e corajoso.

E essa necessidade de reeducá-la vem do fato de que Clarice não poderia ser mais diferente dele: extrovertida, sociável, rebelde e explosiva. Ela é uma estudante de cinema, tem o sonho de tornar-se uma roteirista e está escrevendo um road movie, razão pela qual ao sequestrá-la Téo decide passar por algumas das paisagens do roteiro. Por estar em uma situação em que ela tem que fingir por boa parte do tempo fica difícil ao longo do livro ter uma imagem clara de qual é a verdadeira psique, intenções ou até mesmo pensamentos de Clarice, mas ao mesmo tempo há sempre a impressão de que ela é muito mais do que deixa transparecer e que é quase tão inteligente quanto seu próprio sequestrador.

A trama desenvolvida em Dias Perfeitos surpreende não só por seus personagens cativantes como também pelo próprio desenrolar que prende o leitor a cada palavra e que surpreende de uma forma única na qual a tensão acompanha cada momento. A narrativa é fluída, inteligente e possui um toque único de ironia e cinismo para com a sociedade que rodeia a trama e pode-se observar em vários momentos críticas explícitas ou implícitas durante a narração.

Téo considerava a missa de domingo um ritual interessante. Tinha vontade de rir da crença de alguns fiéis; lágrimas nos olhos, lábios sussurrantes em oração, como se Deus pudesse ouvi-los. [...] Havia também algo de surreal: aquelas mesmas pessoas passavam a vida na esbórnia, chafurdando prazeres mundanos, e ao primeiro sinal de problemas apelavam apelavam por uma redenção de que não eram merecedores.

 A leitura não é só recomendável como também obrigatório para qualquer um que aprecie um bom romance com uma boa pitada de trama psicológica e obsessiva. A história de amor de Téo e Clarice é realmente única e eletrizante. Raphael Montes conseguiu mais uma vez criar uma história maravilhosa com personagens bem elaborados em uma narrativa viciante, o que só faz com que seu próximo romance seja ainda mais esperado.


6 comentários:

  1. Gosto de tramas psicológicas. Este livro parece bom.
    Vi poucas resenhas dele, mas todos positivas.
    Gostei da sua descrição e leria a obra com certeza..

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  2. Esse livro está na minha estante há um tempinho e está prometendo horrores hehehe. Pretendo lê-lo tão logo seja possível. Gostei muito da sua resenha, especialmente quando você fala dos personagens; o mergulho mais aprofundado nas personalidades deles é uma característica que acerta em cheio no meu gosto literário, e tendo isso, não me importo se o livro tem 30 ou apenas 1 personagem. Estou bem ansiosa, expectativas lá no alto, e tenho certeza que o livro não me decepcionará.

    Beijos, Livro Lab

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  3. Bom, eu gostei logo de cara do livro e do autor pois amo suspense. Ainda não conhecia ele mas como já disse já amei e preciso de livros assim na minha estante. Já adc no skoob e tenho que comprar o livro o mais rápido possível.

    Beijão ... Blog Sopa de Letrinhas e Skoob

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  4. Gosto de livros com poucos personagens,principalmente o fato deles serem explorados ao maximo.Confesso que estou com pena da Clarice (coitada),mas como adoro um suspense,este livro sera leitura obrigatoria para mim!

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  5. Oi Gabby!

    Quero muito ler este livro! Adorei a resenha, já tinha lido outras sobre o livro e fiquei igualmente curiosa! A capa tbm é muito bonita, trás aquele ar de mistério! rsrsrsrrsrs
    O BT tbm me deixou fascinada! *o* Perfeito mesmo!

    bjo bjo^^

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  6. Oii Gabby,
    não vi nenhuma resenha negativa deste livro até agora, e estou super ansiosa para ler ele!
    adooooro esses tipos de trama, e entre diversos que já li, de autores brasileiros, apenas um me agradou bastante!
    estou confiante de que o Raphael dará conta do recado e conseguirá me surpreender com este livro ai! *-*

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